Adquirir um veículo é o desejo de muitos brasileiros que buscam mobilidade, mas os altos valores dos modelos novos, mesmo no caso de automóveis populares, tornam os seminovos bem mais atrativos. Por isso, financiar um carro usado surge como uma alternativa viável para quem deseja realizar esse sonho sem comprometer todas as economias de uma só vez.
O processo exige um planejamento financeiro rigoroso e a análise das melhores condições oferecidas pelo mercado bancário atual. Para ajudar nesses detalhes, o BeMotors explica os juros, as taxas e a documentação exigida para garantir uma compra segura, transparente e capaz de resultar em um bom negócio conforme o seu orçamento mensal.
Como financiar um carro usado?
O financiamento de veículos usados é muito similar ao de carros novos, porém exige atenção a detalhes específicos sobre a procedência do bem.
Primeiramente, as instituições financeiras realizam uma análise de crédito sobre o score e o comprometimento da renda mensal do interessado para definir se o negócio é seguro.
Normalmente, o comprador escolhe o veículo em uma concessionária ou com um vendedor particular e solicita a simulação, o que muitos bancos permitem por meio de um processo digital.
Existe, porém, um detalhe que diferencia a compra do usado em relação ao modelo novo: as instituições costumam exigir uma perícia técnica no automóvel.
Essa medida serve para garantir um preço correto e conforme o estado físico do bem e, sobretudo, para proteger o cliente e o banco contra possíveis adulterações ou golpes.
Após a aprovação do crédito, é necessário dar uma entrada — geralmente entre 10% e 20% do total —; algumas instituições aceitam o veículo antigo do comprador. O restante é parcelado em contratos de até 60 meses.

Entenda o financiamento de carros usados
Há diferentes modalidades para realizar essa operação, mas o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) é a mais comum.
O CDC funciona como um empréstimo focado na compra de algo específico, como o seu próximo veículo ou móveis para a casa.
Diferentemente de um empréstimo comum, no qual o dinheiro cai na conta sem um destino certo, essa modalidade disponibiliza um valor voltado diretamente para o bem escolhido.
Na prática, você parcela o valor com o banco; assim, consegue escolher entre juros fixos ou variáveis conforme o mercado.
É comum também que o item comprado sirva como garantia de pagamento, o que ajuda a conseguir taxas mais baixas, embora o risco de perder o bem em caso de dívida seja maior.
Ao decidir financiar um carro usado ou até novo, as prestações devem contemplar, no máximo, 30% da renda líquida mensal para evitar o superendividamento.
Ademais, carros com mais de 10 anos costumam ter linhas de crédito mais restritas ou taxas superiores, pois o banco entende o tempo de fabricação como um risco maior de depreciação e de problemas no carro.
Taxas envolvidas
Dados do Banco Central do Brasil apontam que as taxas de juros para pessoas físicas comprarem veículos ficaram entre 0,65% e 3,19% ao mês em 2025.
Contudo, vários fatores determinam se o seu contrato será barato ou caro, e entender os pontos a seguir ajuda a negociar melhor:
- Correção monetária: alguns contratos podem estar atrelados a índices de inflação, embora parcelas fixas sejam a regra no mercado brasileiro;
- Custos “escondidos”: além dos juros, você pode ter de pagar tarifas administrativas para abertura de cadastro;
- Escolha do banco: cada instituição trabalha com uma margem de lucro e tabelas de juros diferentes;
- Histórico financeiro: o banco analisa sua vida financeira, seu score e o relacionamento com a instituição. Quanto mais confiável você for, menores serão os juros;
- Imposto sobre Operações Financeiras (IOF): há uma alíquota fixa de 0,38% sobre o total emprestado, além de uma cobrança diária de 0,0082%, limitada a 3% ao ano;
- Presença de garantias: se você coloca o próprio carro como garantia de pagamento (alienação fiduciária), o risco para o banco diminui e, consequentemente, a taxa de juros cai. Já os empréstimos sem garantia são sempre mais caros;
- Seguro de Proteção Financeira: muitas vezes oferecido para proteger a transação em caso de desemprego, embora sua contratação costume ser opcional.
Dicas práticas para economizar:
Se o seu objetivo é fechar um bom negócio, o primeiro passo é encontrar um veículo compatível com suas necessidades e orçamento. Para não errar, se atente a estes pontos essenciais:
- Condições: analise o estado geral da lataria e do interior, além de checar o histórico de revisões e se ele já passou por batidas;
- Gastos futuros: pesquise se as peças de reposição são caras e se o modelo ainda possui algum tempo de garantia de fábrica;
- Idade e uso: verifique o ano em que o carro foi fabricado e quantos quilômetros ele já rodou.
Depois dessa triagem, procure marcas e modelos que entreguem o automóvel de acordo com as suas demandas e o preço ideal para você.
Não tenha pressa: compare os valores apresentados por diferentes lojas ou vendedores particulares e aproveite a internet para ler a opinião de especialistas e de quem já teve o mesmo carro. Além disso:
- Faça um leilão entre os bancos: use aplicativos e simuladores online para comparar as propostas das diversas instituições antes de decidir;
- Olhe sempre o Custo Efetivo Total (CET): não foque apenas nos juros — o CET revela o valor real que você pagará ao somar todas as taxas e os impostos;
- Use bens como garantia: se tiver um imóvel ou outro veículo, usá-los no contrato pode derrubar drasticamente o custo do empréstimo.
Vantagens e desvantagens do financiamento de um carro seminovo
A principal vantagem é a menor desvalorização, pois, enquanto um carro zero perde cerca de 20% de seu valor assim que sai da concessionária, o usado já passou por esse impacto inicial.
Assim, ao financiar um carro usado, você investe em um bem que manterá seu preço de mercado de forma mais estável.
Outro ponto positivo é o custo menor do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e do seguro, que são calculados sobre o valor venal do automóvel.
Mas quais as desvantagens?
Por outro lado, os pontos negativos incluem taxas de juros, pois, em alguns casos, elas costumam ser superiores às oferecidas para modelos novos, já que as montadoras podem subsidiar taxas para zerar seus estoques.
Além disso, diferentemente de um carro novo com garantia de fábrica, o usado exige a troca de componentes devido ao desgaste natural, como pneus, correias e suspensão.
Isso deve ser previsto no seu planejamento financeiro para que a economia na compra não se perca na oficina.
Documentação necessária para a compra de um automóvel
Para a transação ocorrer de forma legal e segura, tanto o comprador quanto o vendedor precisam apresentar uma documentação correta. Para quem vai financiar um carro usado, as instituições financeiras costumam exigir:
- Do comprador: RG, CPF, comprovante de residência atualizado e comprovante de renda (holerites, extratos bancários ou declaração de Imposto de Renda);
- Do automóvel: Certificado de Registro de Veículo (CRV) e Autorização para Transferência de Propriedade de Veículo (ATPV-e), que deve estar livre de débitos como multas ou IPVA atrasado;
- Vistoria: é obrigatório o laudo de vistoria veicular aprovado por empresa credenciada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran), a fim de garantir que o chassi e o motor não foram adulterados.
Por fim, antes de assinar o contrato, confira se não há gravames (restrições) no sistema do Detran capazes de impedir a transferência imediata.
Financiar um carro usado pode ser uma solução
O planejamento é a chave para o sucesso ao financiar um carro usado. Ao comparar as taxas de diferentes bancos e verificar o histórico de manutenção do automóvel, você garante um bom negócio.
Também lembre-se de que financiar um carro usado é um compromisso a longo prazo. Portanto, faça simulações detalhadas e escolha a melhor opção conforme sua realidade financeira atual.



